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Fotos entre o juiz imparcial da Lava Jato, Sérgio Moro e o campeão de citações em delações, senador Aécio Neves (PSDB) que demonstram sorrisos e intimidade entre os dois, está bombando nas redes sociais. As fotos foram registradas durante evento da revista IstoÉ que premiava o “Brasileiro do Ano de 2016”, acredite, eles premiaram o Michel Temer. (risos). Isso tudo é para provar que os caras não tem nem mais vergonha na cara. Planejam, organizam e executam tudo sem medo de nada.

Eles zombam do povo brasileiro, na verdade.

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A foto que surpreende uma parcela da sociedade, certamente, não surpreende os juristas, os políticos democratas, a sociedade civil organizadas, a classe intelectual. Não surpreende nenhum pouco os cidadãos mais progressistas desse país. Sempre soubemos que a Lava Jato foi um projeto criado para gerar caos, confusão, desestabilização econômica e política. A crise institucional está aí, a perda de direitos básicos também.

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Enquanto isso, estes senhores, como na foto, seguem rindo da nossa cara.

Conheça um pouco melhor, o projeto político da Lava Jato no vídeo:

Em meio a dor de uma tragédia, congressistas aprovam medidas contra a população

Embora já saibamos que todo o processo que vem ocorrendo em nosso país seria única e exclusivamente para isso – aprovar medidas contra a população – sem nenhum tipo de vergonha ou constrangimento, fica aquele ponto de tristeza e impotência.

E para se tornar ainda pior, os senhores e senhoras, ainda se aproveitaram da comoção nacional, no auge de uma terrível tragédia para aprovar tais medidas. Na calada da noite, uma tristeza sem fim. O mais interessante de tudo é que isso acontece sem nenhum panelaço, passeata ou crítica daqueles que vestiram suas camisetas amarelas e verdes da revolta seletiva. É obvio que estão envergonhados, afinal, sabem o que fizeram.

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Muitos estão atônitos com o que será a maior destruição social do nosso país, nos próximos vinte anos, mas, o que esperar de um governo ilegítimo e seus apoiadores? Acho que ninguém esperava algo além disso.

“Lula guerreiro do povo brasileiro”

Esse era o grito de guerra que as pessoas gritavam na chegada do ex-presidente à sua entrevista coletiva. Lula acabou há pouco, fez um discurso regaçador, “foi pro pau com os golpistas” como diriam alguns.

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A atitude causou revolta nas redes sociais, pois Lula foi conduzido coercitivamente para dar depoimento de maneira totalmente desnecessária, uma vez que o próprio já havia deixado claro que iria depor tranquilidade caso pedissem. O circo midiático criado em torno do caso, apenas demonstra como estamos anos luz de uma grande imprensa democrática e ética. O que se viu hoje foi um atendado ao Estado de direito.

O erro de Lula

Frente a todo esse circo midiático que criaram sobre o fato do ex-presidente Lula ir prestar um depoimento, fica claro qual foi o erro de Luís Inácio Lula da Silva: transformar o Brasil.

Não é de hoje que perseguem o ex-presidente, sempre foi assim, mas, com o fato de Lula ser cotado a voltar à presidência da república em 2018, a elite brasileira está desesperada. Essa turma não suporta o fato de que um metalúrgico nordestino que estudou até a quarta série, entenda mais de política e economia que eles. Que um cabeça chata do sertão nordestino, tenha mais carisma e carinho com líderes mundiais, que suas falidas personalidades políticas. Não suportam ver as transformações sociais que o país passou nos últimos anos, pois quando estiveram no governo não as fizeram por dois motivos: incompetência e má fé. Não suportam como é incrível analisar o Brasil antes de Lula e pós Lula. Eles sabem que o país é outro e as perspectivas do nosso povo são outras.

Num passado não tão distante, os simples desejos de casa, carro, comida, faculdade, emprego, etc; eram privilégios para poucos. Para alguns, era sonho. Talvez (quase certeza) você tenha se esquecido disso, agora que tudo isso virou normal, mas quando olhar para o teu passado e ver como sua vida mudou, lembre-se, meu caro, o dedo do Lula está aí.

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A corrupção do Brasil está na justiça, na elite e na grande mídia, estes, que controlam a política. Basta realizarmos um simples raciocínio lógico: Lula foi convidado à depor por conta de um triplex que seria um presente de construtoras, até aí, ok. Tranquilo. Podem investigar a fundo. Mas, o mesmo combate à corrupção não se dá ao fato de Cerveró ter delatado que FHC recebeu 100 milhões em propina (imaginem se fosse o Lula), ou então, Youssef ter afirmado que 1/3 das propinas de Furnas iriam para o bolso de Aécio. Oras, mas porque não se ouviu nada disso? Eles não deveriam depor também? Porém, quem liga pra isso? Quem viu o FHC ir depor? Quem quer saber mais sobre isso? Claro, que não! O negócio é achar algo do Lula, da Dilma, de alguém do PT. Pera lá! Mas não é combate a corrupção da política brasileira? É obvio que isso é apenas um jogo de perseguição ao Partido dos Trabalhadores visando a eleição de 2018. Qualquer indivíduo com mais de dois neurônios sabe responder essa questão. Não precisa ser Expert em política, basta não ser tapado.

Bom, então só nos resta reconhecer que esse foi o erro (ou não) do Lula: tentar conciliar com a elite nojenta e corrupta desse país, para dar um mínimo de atenção ao seu povo. Ao invés destituí-la e enfiar a elite nas páginas da história, Lula preferiu ser um democrata. Participar da política institucional e, assim, conquistar o máximo de benefícios possível para o povo brasileiro. Ele conseguiu, mas o fato é que está pagando um preço altíssimo por isso. Paga o preço que outros líderes pagaram, por terem dado um mínimo de atenção ao próprio povo. Lula sem dúvidas é a maior personalidade política mundial do pós-guerra fria, não será um festival midiático feito pra entreter tapados que vai mudar a história, esse contexto só servirá para uma coisinha: ou provem algo muito terrível (aliás, se tivessem isso nem presidente do Brasil teria sido) contra ele, ou se preparem por uma vitória esmagadora de Lula em 2018.

Por Arthur Montagnini.

Patriotismo

Fiquei a semana inteira pensando: o que levaria uma pessoa a sair pra rua protestar contra a presidenta da república, pedir a volta da ditadura militar (ou intervenção como alguns dizem), utilizando, em massa, a camiseta da seleção brasileira de futebol que tem o símbolo da CBF, uma coisa parece ter nada a ver com a outra. Li vários artigos, conversei com muita gente, vi inúmeros vídeos a tentar compreender como que, pessoas com nível de estudos considerável, conseguiam ter a capacidade de submeter a isso, devida as circunstâncias que foram os protestos, que ainda prometem uma segunda etapa.
Nosso país, que possui uma democracia representativa muito curta – menos de trinta anos de redemocratização – sofre, com a baixa participação da população brasileira em temas importantes para a sociedade. Aprendemos, nesse curto tempo, que são nossos representantes é que devem falar por nós, agir e pensar, por nós. A prática real de cidadania em nosso cotidiano é muito pequena. No geral, ainda não participamos da democracia, de fato. Independente do nível de escolaridade ou classe social, não nos acostumamos, ainda, a pensar, agir e soltar a voz, por nós mesmos. Colocamos em pedestais, nossos representantes, esquecendo que eles são pessoas iguais a gente. Veneramos qualquer informação e não aprendemos, desde cedo, nas escolas ou em casa, que a sociedade democrática só pode ser construída com base na discussão e no debate, aliás, aprendemos muito cedo a odiar quaisquer debates e discussões, com a aquela velha desculpa: “isso não leva a nada”.
Estamos engatinhando na democracia. Não aprendemos, ainda, a ter nossa visão de mundo, digo, a nossa mesmo, aquela construída por nós, sem interferências, manipulações ou preconceitos. Visão de mundo, quem você é e o que você representa nesse mundão. Olhamos para a escola da esquina de casa, como se ela fosse apenas paredes erguidas para encher de criança e aprender um montão de coisas que nunca irão utilizar na vida. Vemos a praça, as ruas, o comércio, o posto de saúde, o hospital, a polícia, como se fossem coisas definitivas, como se sempre estivessem ali e ali, sempre estarão. Não há questionamento. De nada.

Pra nós, a política – só de falar esse termo muita gente já sai andando e não quer ouvir mais nada – é algo completamente distante. Política é voto, é eleição. A cada dois anos nós vamos pra urna e escolhemos alguém (com uma foto bonita e frases de efeito) pra administrar tudo que está a nossa volta. Política também é televisão, são esses “vagabundos dos políticos” (que vieram de Marte) vivem apenas em Brasília, aparecem nos escândalos e só estão lá para atender os próprios interesses – até que não deixa de ser verdade em alguns casos – e por isso, melhor não participar da ‘política’. Quando é pra participar da política é só pra ir votar. Quem nunca ouviu aquela famosa frase triste: “o povo tem que protestar na urna” e, normalmente, quando a gente se interessa tanto pelo pleito, não consegue conter os ânimos, as emoções e pela falta de prática democrática torna tudo um obscuro jogo maniqueísta: bom, agora o azul é bom e o vermelho é mau, ou o amarelo é ruim e verde é legal. Pior ainda, é quando vivenciamos a política, só naquele favor que eu preciso com um amigo de um sobrinho meu, que trabalha para o vereador tal e que vai conseguir dar aquela ajeitada na minha situação.

Depois disso tudo, voltando ao início do texto, vamos tentar perceber, qual é o momento, dos poucos momentos que temos nessa vida, onde realmente parece que estamos lutando por algo, fazendo parte do Brasil, de uma união, de um patriotismo – que não acontece em outros momentos?
Acredito eu: na Copa do mundo de futebol.
É por essa falta de participação política constante do nosso aguerrido povo, que os poucos momentos que nos recordam estar fazendo algo por este país, ou ao menos parece que estamos – ainda que soframos uma alta ajudinha midiática patriótica – é na Copa. Quando a gente coloca aquela camiseta canarinho, com as cores da bandeira nacional, canta o hino junto e no fim, tudo dá certo e se não deu, nós tentamos. Mas nos dias atuais, o patriotismo de Copa do Mundo parece entrar em conflito, quando você percebe que não pode mais lutar pelo Brasil somente na hora do gol. Precisa mais. Ainda que nossa sociedade sofra de toda a manipulação midiática ou desinformação proposital, ela quer o melhor para o país. Talvez não saiba como conseguir, e às vezes, nem sabe o que pode realmente ser algo bom. Mas nós precisamos participar da democracia de qualquer maneira, pois sentimos a necessidade.

As confusões e contradições começam, então, a aparecer.
Vou pra rua com a camiseta da seleção brasileira, ou uma camisa com as cores da nação, cantar o hino nacional e caminhar junto aos meus camaradas – igual na Copa – só que dessa vez, estamos lutando de verdade pelo Brasil, pode pensar um cidadão.

As cores que você vai pra rua, pouco importam na verdade, afinal, muitos nem sabem que o verde e amarelo da bandeira nacional, é uma representação das cores da família imperial, na época que ainda éramos colônia dos Portugueses. Mas tudo bem, de qualquer maneira, lembra as cores da bandeira, que inclusive, é linda. Eu particularmente adoro a bandeira do Brasil e tenho orgulho da nossa camisa canarinho, mas não te faz menos brasileiro se tu fores protestar de vermelho, azul, branco, preto, dourado e etc.

Entre tantas outras confusões, a maior confusão – tá, a maior ignorância – é pedir uma intervenção militar. Pera lá, qualquer pessoa que tenha estudado uma aulinha história no ensino fundamental, sabe que a ditadura militar no Brasil, servia aos interesses norte americano e toda orquestração da ditadura (que foi um dos períodos mais corruptos da política brasileira e você talvez não soubesse, pois eles costumavam matar quem era de oposição) foi realizada pelos amigos do Tio Sam. Ou seja, a pessoa, se diz patriota, coloca as cores da bandeira do Brasil e defende que o país perca a soberania nacional. É, tipo, pegar uma linda bandeira do Brasil, jogar ela chão, pedir pro Obama pisar em cima e você aplaudir. Não tem nada de patriótico nisso, aliás, pedir a volta da ditadura, além de ser antipatriota é um ato criminoso perante a Lei brasileira. Mas, não podemos crucificar quem faz isso, por mais contraditório que seja a culpa é de todos nós.

Essa falta de prática, discussão e debate, é que torna as nossas necessidades reais altamente manipuláveis, pois, as indignações dos brasileiros – e do mundo inteiro – são reais e atuais, mas a fragilizada relação que temos com a política, como se ela fosse alto distante, torna muito mais difícil a nossa luta. Faz a gente sair pra rua, pedir impedimento da presidenta da república, como se para nós fosse a única alternativa de melhorar aquilo que nos incomoda, quando, na verdade, não só prejudica nossa democracia e não muda, não altera e não transforma a estrutura de poder corrompida que está posta há séculos.

Sempre digo e vou morrer dizendo: precisamos participar mais da democracia. Poxa, mas como a gente participa da democracia? Por mais que nosso sistema educacional seja falho e nossas crianças pouco consigam compreender isso quando saem da escola para o mundo, e no futuro, se tornarão adultos pouco interessados em falar sobre política, é nosso dever nos esforçarmos para promover a cidadania. Não é coisa fácil. Não é nada simples, participar das reuniões das associações do bairro onde você mora, dar uma chegada naquela reunião do sindicato onde você trabalha ou ver o que tá acontecendo nas reuniões da entidade estudantil que representa a sua faculdade. Quem sabe, dar um pulinho na câmara dos vereadores, naquela audiência pública importante. Aquela pesquisada nos partidos políticos, ver aquilo que você concorda ou não. E o principal: questionar. De onde isso vem, pra onde isso vai. Como isso chegou aqui, isso realmente deve continuar aqui. Não venere todas as informações que você recebe, questione-as. Construa suas próprias ideias a partir da sua própria opinião ou perspectiva.

Ao contrário de muita gente que conheço, eu sou um otimista. Acho que estamos no caminho certo e a democracia nos exige isso, que consigamos olhar a frente, muito além do que simplesmente é colocado diante dos nossos olhos. O ser humano é, por natureza, um ser questionador. O brasileiro é, culturalmente, um cidadão apaixonado, alegre e batalhador. Vivemos num país maravilhoso, com riquezas incomensuráveis, porém, com inúmeras contradições. Estamos aprendendo muita coisa e certamente, por mais que existam setores que remam contra, o nosso povo, estará cada vez mais preparado para caminhar em favor do desenvolvimento humano, social e de um país mais justo e menos desigual, e claro, com maior participação popular nas fileiras da democracia.

Arthur Montagnini